
Juros do Cartão de Crédito em 2026: O Que Vai Mudar e Como Se Proteger
Se você usa cartão de crédito no dia a dia, provavelmente já sentiu aquela sensação de susto ao ver a fatura chegar. E em 2026, o tema dos juros está mais quente do que nunca. O Brasil segue com algumas das taxas de crédito mais altas do mundo, e entender o que está acontecendo com os juros do cartão de crédito pode fazer uma diferença real no seu bolso. Neste artigo, vamos conversar de forma clara sobre o cenário atual, o que mudou com as novas leis, o que ainda preocupa e, principalmente, como você pode se proteger.
Os dados mais recentes do Banco Central, divulgados em fevereiro de 2026, mostram que a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 61% ao ano em janeiro. Isso já seria alto por si só, mas quando a gente fala especificamente de cartão de crédito rotativo — aquele em que você paga só o mínimo da fatura —, o número é assustador: 424,5% ao ano em janeiro de 2026. Sim, você leu certo. Uma dívida de R$ 1.000 no rotativo pode se transformar em mais de R$ 5.000 em apenas doze meses. E esse cenário tem raízes profundas que vão além da vontade de um banco ou de uma única política econômica.
Por Que os Juros do Cartão de Crédito São Tão Altos no Brasil
Essa é uma pergunta que muita gente faz, e a resposta envolve uma combinação de fatores. O primeiro é a taxa Selic, que é o piso de referência para todas as taxas de juros do país. Em fevereiro de 2026, a Selic está em 15% ao ano — um dos patamares mais altos do mundo entre economias emergentes. Quando o Banco Central sobe a Selic para conter a inflação, os bancos repassam esse custo para o crédito, e o cartão de crédito é a modalidade que mais sofre esse efeito, por ser um crédito sem garantia real.
Além da Selic, existe o chamado spread bancário, que é a diferença entre o custo que o banco paga para captar dinheiro e o que ele cobra do consumidor final. No Brasil, esse spread é historicamente elevado por causa de fatores como alta inadimplência, concentração bancária, custos tributários sobre operações financeiras e ineficiências do sistema de recuperação de crédito. Quando você não paga uma dívida de cartão de crédito, o banco tem pouco a fazer para recuperar esse dinheiro rapidamente — e esse risco é embutido na taxa cobrada de todos os clientes, inclusive os que pagam em dia.
As Novas Regras do Cartão de Crédito que Entraram em Vigor em 2026
Há uma boa notícia nesse cenário: a legislação brasileira avançou de forma significativa na proteção do consumidor. A Lei nº 14.690/2023, que começou a ser implementada em 2024 e entrou em pleno vigor em janeiro de 2026, trouxe mudanças estruturais importantes para quem usa cartão de crédito no país. A principal delas é o teto para o crescimento das dívidas no rotativo: uma dívida não pode mais crescer além do dobro do valor original. Isso significa que uma fatura de R$ 1.000, mesmo sem ser paga, não pode gerar uma dívida total superior a R$ 2.000, considerando todos os juros e encargos.
Outra mudança relevante é a portabilidade da dívida do cartão de crédito. Agora você pode transferir sua dívida para outra instituição financeira que ofereça condições melhores — juros menores, prazo maior —, e o banco original tem a obrigação de liberar essa transferência gratuitamente caso não consiga fazer uma contraproposta mais vantajosa. Essa medida cria um incentivo competitivo real entre os bancos, algo que antes praticamente não existia para dívidas de cartão de crédito. Além disso, as faturas passaram a ter layout padronizado e mais transparente, com destaque para o valor total devido, data de vencimento e custo efetivo total.
A Realidade de 2026: Proteção Legal Versus Juros Ainda Altos

É importante não confundir as novas proteções legais com uma solução definitiva para o problema dos juros abusivos. Mesmo com o teto de 100% no crescimento da dívida, as taxas nominais do cartão de crédito rotativo continuam extremamente altas — em torno de 424% ao ano em janeiro de 2026, segundo o Banco Central. O teto legal limita o quanto a dívida pode crescer, mas não reduz a taxa de juros em si. Ou seja, você ainda paga uma taxa absurda enquanto estiver no rotativo; o que muda é que a dívida tem um limite de crescimento.
Para 2026, analistas do mercado financeiro projetam um cenário ambíguo. Por um lado, há a expectativa de que a Selic comece a recuar a partir do segundo trimestre, o que poderia aliviar levemente os juros do cartão de crédito. Por outro, o estoque de dívidas acumuladas com taxas altas em 2024 e 2025 ainda está pressionando as finanças de muitas famílias, e a inadimplência no rotativo encerrou 2025 em 64,7% — um recorde histórico. Esse nível de inadimplência faz com que os bancos mantenham spreads elevados para compensar o risco, o que cria um ciclo difícil de quebrar.
Como o Crédito Rotativo Pode Destruir Seu Orçamento em Meses
Vamos ser práticos aqui. Imagine que você tem uma fatura de R$ 2.000 no cartão de crédito e decide pagar apenas o mínimo, digamos, R$ 400. O saldo restante de R$ 1.600 entra no rotativo, com juros que giram em torno de 15% a 20% ao mês. No mês seguinte, aqueles R$ 1.600 já viraram aproximadamente R$ 1.840, mesmo sem você ter feito nenhuma compra nova. Em poucos meses, a dívida ultrapassa o valor original da fatura e você entra em um ciclo do qual é muito difícil sair sem ajuda. Não à toa, especialistas chamam o rotativo de armadilha financeira.
Com as novas regras de 2026, pelo menos esse crescimento tem um teto legal — a dívida não pode dobrar indefinidamente. Mas o problema prático é que, quando uma família entra no rotativo do cartão de crédito, normalmente já está com o orçamento colapsado. A solução não costuma vir pagando o mínimo, mas sim negociando diretamente com o banco para parcelar a dívida em condições mais favoráveis, ou utilizando a nova portabilidade para buscar taxas menores em outra instituição.
Estratégias Práticas para Fugir das Armadilhas dos Juros em 2026
Independentemente do cenário macroeconômico, existem atitudes concretas que você pode tomar agora para proteger seu bolso dos juros do cartão de crédito. A primeira e mais importante é nunca pagar apenas o mínimo da fatura. Parece óbvio, mas na prática muita gente cai nessa armadilha por desconhecimento ou por pressão financeira temporária. Se você não consegue pagar o valor integral, procure o banco imediatamente para negociar um parcelamento com juros fixos, que são muito menores do que o rotativo.
- Pague sempre o valor total da fatura do cartão de crédito. Nunca use o rotativo se puder evitar.
- Use a portabilidade de dívida para buscar condições melhores se já tiver uma pendência acumulada.
- Compare as taxas de diferentes bancos antes de escolher ou usar seu cartão para parcelamentos longos.
- Configure alertas de gastos no aplicativo do banco para monitorar o limite em tempo real.
- Evite parcelar compras com juros — prefira parcelamentos sem juros oferecidos pelo lojista.
- Renegocie a anuidade do seu cartão: com a nova transparência exigida por lei, os bancos devem avisar com antecedência sobre cobranças, o que facilita a negociação.
O Que Esperar dos Juros do Cartão de Crédito no Restante de 2026

As projeções mais otimistas apontam que a Selic pode começar a cair no segundo semestre de 2026, o que gradualmente se refletiria nos juros do cartão de crédito. Mas essa queda tende a ser lenta — os bancos demoram mais para reduzir taxas do que para aumentá-las, e o nível elevado de inadimplência no rotativo mantém o spread bancário pressionado. Mesmo que a Selic recue para 12% até o final do ano, como preveem alguns analistas, o rotativo do cartão ainda ficaria em patamares proibitivos — provavelmente em torno de 300% a 350% ao ano.
Para o consumidor médio, isso significa que a cautela no uso do cartão de crédito continua sendo a melhor estratégia. A legislação de 2026 trouxe proteções importantes, especialmente o teto de crescimento da dívida e a portabilidade, mas não eliminou o risco. O melhor caminho é usar o cartão como ferramenta de conveniência e organização financeira — pagando a fatura integral todo mês — e nunca como uma extensão do salário ou fonte de crédito emergencial. Para emergências, o crédito consignado ou mesmo um empréstimo pessoal com taxa fixa costuma ser muito mais barato do que o rotativo do cartão de crédito.
Em resumo: 2026 chegou com novas proteções legais relevantes para quem tem dívidas no cartão de crédito, mas com taxas de juros que ainda estão entre as mais altas do mundo. A combinação de Selic elevada, spread bancário alto e inadimplência recorde cria um ambiente desafiador. Mas com informação e disciplina financeira, é possível usar o cartão a seu favor — e não contra você.
Perguntas para Você Refletir e Comentar
Gostaríamos de ouvir a sua experiência! Deixe nos comentários: Você já caiu na armadilha do rotativo do cartão de crédito? Como foi sair dessa situação? E sobre as novas regras de 2026 — você acha que o teto de crescimento da dívida é suficiente, ou os bancos ainda precisam ser mais regulamentados em relação às taxas de juros? Sua opinião ajuda outras pessoas a entenderem melhor esse tema tão importante.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre Juros do Cartão de Crédito em 2026
Qual é a taxa média de juros do cartão de crédito rotativo em 2026?
Segundo o Banco Central, em janeiro de 2026 a taxa média do rotativo estava em 424,5% ao ano. Trata-se da modalidade de crédito mais cara do mercado brasileiro.
O que mudou nos juros do cartão de crédito com a nova lei de 2026?
A Lei nº 14.690/2023, em plena vigência desde janeiro de 2026, estabelece que uma dívida no rotativo não pode crescer além do dobro do valor original. Além disso, criou a portabilidade de dívida e exigiu maior transparência nas faturas.
O que é o crédito rotativo do cartão de crédito?
É a modalidade que entra em vigor quando você paga menos do que o valor total da fatura. O saldo restante fica sujeito a juros altíssimos por 30 dias, após os quais o banco é obrigado a parcelar a dívida. É a linha de crédito mais cara do sistema financeiro brasileiro.
Como funciona a portabilidade da dívida do cartão de crédito?
Você pode solicitar a transferência da sua dívida de um banco para outro que ofereça condições melhores. O banco original tem a opção de fazer uma contraproposta. Se você não aceitar, a transferência deve ser feita gratuitamente.
Vale a pena usar o cartão de crédito mesmo com juros tão altos?
Sim, desde que você pague a fatura integral todo mês. Nesse caso, você não paga nenhum juro e ainda aproveita benefícios como programa de pontos, cashback e parcelamentos sem juros. O cartão de crédito só se torna um problema quando entra no rotativo.

Rosangela Ventura é uma especialista em tecnologia de 27 anos, apaixonada por explorar as fronteiras da inovação digital e seu impacto transformador na sociedade moderna. Como fundadora e editora-chefe do Queen Technology, ela dedica-se a tornar o mundo da tecnologia mais acessível e compreensível para todos.
